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Jean Wyllys diz que desistiu de mandato e vai deixar Brasil após ameaças

(foto/Agência Câmara)

São Paulo – Jean Wyllys, eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, decidiu não assumir o mandato.

Ele está fora do Brasil em férias, em um local não revelado, e não pretende voltar. A decisão foi divulgada em entrevista exclusiva para o jornal Folha de São Paulo publicada nesta quinta.

“Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!”, escreveu Wyllys em sua conta oficial no Facebook.

O parlamentar diz que decidiu deixar a vida pública e se dedicar a retomar sua carreira acadêmica devido a ameaças recebidas no país.

Eleito pela primeira vez em 2010, foi o primeiro parlamentar assumidamente homossexual a levantar pautas da comunidade LGBT no Legislativo e era alvo frequente de notícias falsas.

Recentemente, a Justiça condenou Alexandre Frota, deputado federal eleito pelo PSL, a prestação de serviços e multa por ter atribuído a Wyllys uma defesa da pedofilia que ele jamais fez.

Desde o assassinato de Marielle Franco, sua companheira de partido, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial:

“Eu não quero ser mártir. Eu quero viver”, diz ele, apontando também o aumento nos relatos de  violência homofóbica e política durante e após o período eleitoral.

Outro ponto que pesou, segundo ele, foram as revelações recentes de que familiares do ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle e que está foragido trabalharam no gabinete do senador eleito Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, diz Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”.

Wyllys, que tem 44 anos, era professor universitário e escritor e ganhou projeção nacional ao vencer a quinta edição do programa Big Brother em 2005.

O seu suplente, que deve assumir o mandato no seu lugar, é o vereador carioca David Miranda (PSOL-RJ), que também é homossexual.

(EXAME)

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